segunda-feira, 20 de junho de 2022

 Há um ano que não posto no meu velho blog, de mil coisas e tal. Acordei hoje curiosa em rever meus escritos, nos tempos bons do governo Lula, de Antonina, de netos pequenos e descobridores do mundo efervescente do quintal da minha casa, cheio de borboletas, joaninhas, cobras e lagartos, literalmente, e frutas e passarinhos, gafanhotos, formigas, cachorros.  Era um mundo em que o tempo passava devagarinho, de cuidar de flores e verduras, de gente grande e pequena. Grandes tempestades, lindos amanheceres cheios de piados, trinados, latidos, risos. Mas a vida vai acontecendo mesmo que a gente não queira, vem o choro, as partidas, as retomadas, aprender a gente aprende, recordar a gente recorda, mas não é bom. Páginas do tempo viradas, muita água passou pelos riachos e cachoeiras dessa vida. Voltar não volta, né? como fazer descrescer uma criança, nascer de volta uma árvore que tombou, parar e consertar um país que foi escoando pelo ralo, uma cidade que foi só se desmanchando, um povo que perdeu o rumo, uns amigos que sumiram por estradas diferentes da minha, na encruzilhada decisiva que cada um toma e por sua própria vontade? Não tem jeito. Tem covid para a gente se entocar e ficar longe de tudo. Tem nazistas pra nos intimidar e tenho medo de usar minha estrela vermelha na máscara e morrer de morte matada. Um tempo que passa, a cada suspiro foi o dia. Um animal selvagem chamado celular, que tem vida própria e fica me levando os minutos e as horas, gritando que isso e aquilo. Gostava mais quando a gente debatia com a companheirada, correntes e tendências, filosofando sobre o mundo que a gente queria para nós e para todos. Agora só lutando para voltar ao normal, juntando gente de outros interesses pra tornar uma corrente mais comprida, mais volumosa, capaz de rasgar o escuro e deixar o sol entrar. Um desabafo. Muita esperança, Saudades.

terça-feira, 23 de março de 2021

Quando eu fiz quinze anos minha mãe resolveu fazer uma festa em casa. Não éramos dessa gente que debutava, morávamos no  Jardim Casqueiro, um bairro operário de doqueiros e estivadores do porto de Santos. Eu mesma desenhei e costurei um tubinho, que tinha um triângulo invertido de linho azul marinho na frente do vestido de linho branco. Eu tinha brigado com meu namorado, que tinha me traído com a filha do prefeito, uma ninfeta de 13 anos com aparelho nos dentes. Mamãe fez bolos, doces, salgados, coisas deliciosas que ela sabia fazer desde que nascemos, desde o primeiro  dia da minha existência. Mandou varrer o terreiro e comprou discos. Eu tinha uma vitrola daquelas que a gente abria e tinha a caixa de som na tampa. Era azul turquesa e branca. E eu fiz um penteado na Vanda, a irmã da minha amiga Vilma, que estava aprendendo a pentear. Um coque alto cheio de laquê. Daí começaram a chegar as convidadas e os convidados. Pusemos Ray Conniff, Neil Sedaka, Paul Anka, Pat Boone (alguém emprestava discos também). Meu pai com sono cochilava, minha mãe servia todo mundo, bolo, parabéns, e batem  palmas no portão. Era o Seu Fausto, amigo do meu pai,  pai da Maria Eliza, do Faustinho,  da Seilinha. Uma figura respeitada no bairro, teatrólogo, compositor, anarquista, carioca. Estivador. Queria me apresentar um grupo de "amigos dele",os mais velhos,os galãs,os caras que dançavam no Clube. Que eram os lindões e que garotas de 15 anos estavam fora da rota deles. Queriam entrar na festa e foram chamar seu Fausto, o pai das minhas amigas, pra pedir pra entrar na nossa festinha de quinze anos, de criaturas saindo das fraldas pro mundo. Eu fiquei com medo, mas disse sim. Eles entraram e dançaram com a gente, eu nem me lembro direito como isso foi. Mas acho que foi desse jeito. Me senti totalmente vingada pela traição do meu namorado, com quem me casei quando tinha dezenove anos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

    Como uma velha bruxa que sou, vou dar a receita de um drink que vai deixar minhas amigas e meus amigos felizes. Os netos não estão na lista. Ponto final.

       Quando você acordar amanhã,, faz um chá que é o seguinte: um punhado de hibisco seco, uma rama de canela, um pedaço de gengibre picadinho e alguns cravos (eu ponho de três a cinco). Derrama água fervente em cima e deixa virar chá. Esse chá eu faço a cada 2 ou 3 dias Depois, quando chega a tardezinha e o sol vai fazendo aquela mágica, você pega uma taça de martini e põe duas pedras de gelo, uma rodela de limão e uma dose de gin. Derrama meu chá até o ponto da taça. Pode tomar olhando o por do sol. Pode tomar xingando "você sabe quem", começando com B (ou não). Pode tomar duas vezes, erguendo a taça aos nossos ídolos (que ainda são os mesmos), aos nossos sonhos futuros, passados e PRESENTES. Tim-tim!!!!!!!!

O chacareiro feliz

 Faz alguns anos eu morava em Antonina. Eu a e a mana (tia Célia) tínhamos, todos os anos, que fazer prova de vida em Paranaguá. Íamos no ônibus de linha de Antonina a Paranaguá, passando por Morretes. No meio do caminho, uma vez, subiu um rapazito, muito alegre, que conversava com as pessoas. O ônibus, cheio, pessoas em pé, eu sentada, a mana em outro banco. O rapaz sentou ao meu lado e era dessas pessoas que conversam, ao contrário de mim. Ele não desistiu dos meus monossílabos,. Falou de sua vida em Morretes, um sítio em que vivia com sua mãe e criava, plantava e vendia. E foi dizendo coisas que começaram a me encantar. Uma simplicidade sem limite, E disse assim: "sabe essa história de depressão? Pois não existe depressão se uma pessoa tiver uns cabritinhos no quintal! Duvido!". PRONTO!!!!! Me disse da alegria que ele tinha todos os dias de sua vida de pessoa simples, ao abrir as janelas de seu quarto para os cabritinhos pulando, alegres pelos simples prazer de estarem ali no quintal. E aminha vida e meu sonho de mundo perfeito se resume em um quintal cheio de cabritinhos pulando, numa praia deserta, cheia do barulhos das marés, meus netos em férias, eu cheia de de livros pra ler e escrever. Paraíso!!!!!! Onde será que está o filósofo da minha existência, tantos anos depois?????









Madame Bovary

  A Velhice II      Quero falar das dores da velhice. Não aquela dor que vemos quando temos coragem de encarar o espelho e aquela mulher (ho...