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segunda-feira, 7 de março de 2011

Carta para o serviço de distribuição daquela revista


Antonina, 07 de março de 2011.

Para

Editora Abril

São Paulo – SP

Problemas relacionados com a regularidade na entrega das revistas Super Interessante e National Geographic, que assino já há alguns anos, obrigaram-me a manter contato com a Editora Abril, mesmo tendo percebido que a Super Interessante vem inserindo, ainda que de forma sutil, a ideologia bullshit defendida hoje pela Editora Abril, que tem como porta-estandarte a Veja, da qual já fui assinante, e pela qual nutro, atualmente, inescapável e incontrolável nojo. Afinal, estamos falando do esgoto a céu aberto cujas comportas são semanalmente escancaradas por seus blogueiros, editores e para-jornalistas.

Pois, bem, 0800 daqui, e-mail de lá, as reclamações devidamente apresentadas, e as providências devidamente prometidas, eis que, sem que eu tenha solicitado, o lixo veio no pacote: sim, a Editora Abril está a mandar-me, sem que eu tenha solicitado, repito e enfatizo, a Veja! Deus me livre!

Tenho recebido propostas indecentes dessa MERDA todos os meses, e tenho sido clara ao dizer que não quero na minha casa essa revista asquerosa. Hoje, dia de Carnaval, 07 de março, colocaram, sorrateiramente, na minha caixa de correio, mais uma edição da inominável. PELO AMOR DE DEUS! Eu não quero, nem de graça, esse lixo. Não quero que meus filhos e netos encontrem esse horror no meu banheiro, na minha sala, no meu lixo. MINHA CASA NÃO É UM LIXÃO para receber os detritos produzidos por Diogo Mainardi, por Reinaldo Azevedo, por Lauro Jardim, por Augusto Nunes, por esta tropa golpista, anti-brasileira e anti-popular.

Tudo isso, para dizer: VOCÊS ESTÃO PROIBIDOS DE ME MANDAR A VEJA! NÃO QUERO, NEM DE GRAÇA, ESSA TRANQUEIRA. MEU CÉREBRO NÂO É PENICO E MINHA CASA NÃO É LIXÃO A CÉU ABERTO!

Desatenciosamente,

Sonia F. Nascimento

Cod Ass 654002799-001

domingo, 12 de dezembro de 2010

Poema nº 26





Seu corpo, terra prometida, terra fértil: na rua suja o anjo promete, eu prometo.
Na rua suja do meu verso o anjo se mostra, voz aberta para o lixo organizado e ocidental.
O tempo apressa e a rua suja do meu tempo se fecha para obras de recuperação.
Na causa limpa do meu pranto o vento caminha livre.
E o sangue se derrama na rua suja do meu medo.
Na rua suja dos meus vícios meu verso se assusta, o meu passo apressa o tempo,
o meu tempo se vende, se veste de concreto a flor sintética,
choram pelo passado esquecido na chuva.
Na chuva azul do meu pranto o esquecimento aquece o cimento morto.
O cimento sujo com meu sangue vai renascer menos duro, mais sentimento.
Na rua suja do meu tempo há o homem destruído.
Na rua suja do meu tempo há o templo construído e aberto para sua fé.
Há também o meu segredo.
Na rua suja pelo tempo, os pássaros se apressam e ganham o medo.
Mas, na memória dos seus beijos, nos cobertores dos seus braços,
no descanso do seu corpo, o tempo perde o sentido, e perde o jogo.
Na metade do meu tempo há o poema esquecido, há a lágrima.
Na mentira de quem feriu o poeta bêbado, o verso limpo e a água calma, há o cimento.
Na pequena porta se abrindo para o norte é mortal o dia.
Somos seres noturnos de vôos cegos e infinitos.

Madame Bovary

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