terça-feira, 29 de junho de 2010




Fosse apois possível, a prosa de guimarães,
ausente a rosa, que não posso: para Antonina


Porto – alembra, pois? A frota de chegadas cargas e na beira, muito e bastante,
se via a gente no fazer, sol-de-brilho, suor de tanto-feito. Assim foi.
Porto – esquecer quem é de?
O barco de ir, para demais longe, e muito e bastantes, se contava gentes no fazer,
mesmo quando as luas-de-azul-clara anunciação alumiando os fazeres, os ofícios. É, se?
Cais, esse, de movida e larga obra e, de tanto, esperando as gentes, des-fazendo, e nada,
e nada de fazer. Se depois, e quando se?
No construído cais, do de mesmo-hoje,
esperar se, de desmorrer, e do largo de sal consumido:
e vem, e vem, e vindo do demais navegar de dias e dias,
o capitão-do-navio, almirante de respeitosa barba:
mouras riquezas, água de outras serventias, engenhos dos de moderna figura.
É, ainda, e se?
Dela, a dama de uns jeitos e por demais de perfumosa, para serviço e gozo,
germanos de terras do quase-fim, se riem de álcool e vício.
Pois, assim?
Paulo Cequinel

domingo, 20 de junho de 2010

José Saramago



"Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala."

"Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo."

"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais."

"Há situações na vida em que já tanto nos dá perder por dez como perder por cem, o que queremos é conhecer rapidamente a última soma do desastre, para depois, se tal for possível não voltarmos a pensar mais no assunto."

"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas."

Meu querido escritor, que me mostrou que escrever é muito mais do que contar histórias e me fez ver a miserável mesquinhez dos meus textos de dores e amores, quando no mundo anda a dor das guerras e o sofrimento dos deserdados, por você eu choro hoje, por me dar conta que, embora não lhe tenha lido toda a obra, não terei mais a oportunidade de ler a que viria depois dela.
Sonia Nascimento, Luto.

Receita do bacalhau nas natas

Vem da terrinha e, claro, já modifiquei, acrescentando temperos e ricota. É esta:
Ingredientes:
1 quilo de bacalhau demolhado e desfiado (prove o sal e veja se está bom);
2 pacotes de batatas prontas para fritar (aqueles congelados);
2 potes de nata fresca;
2 copos de leite, 1 colher de manteiga, 3 colheres de farinha de trigo, uma pitada de noz moscada, sal, uma pitada de pimenta do reino (para o molho branco);
1 pacote de ricota fresca;
queijo parmesão ralado a gosto;
3 cebolas picadas;
3 colheres de azeite de oliva.
Modo de fazer:
Frite as cebolas no azeite até ficarem macias. Acrescente o bacalhau desfiado e deixe refogar. Desligue, deixe amornar e acrescente os outros ingredientes, menos o queijo ralado, misturando delicadamente. Coloque em duas travessas refratárias, cubra com o queijo ralado e asse no forno até começar a dourar. Nem dá tempo de tirar foto.

Madame Bovary

  A Velhice II      Quero falar das dores da velhice. Não aquela dor que vemos quando temos coragem de encarar o espelho e aquela mulher (ho...