sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Secretários

Por favor, expliquem para uma cidadã de grande desconhecimento, o que fazem secretários municipais, além de participarem de reuniões com o Sr. Prefeito? E, claro de receberem seus salários pagos pelos cofres do depauperado município? Tem secretário que já considera a secretaria como seu emprego vitalício. Sei que secretários viajam pra lá e pra cá, Que participam de solenidades aqui e acolá, que são vistos em muitos locais fazendo papel de representantes deste e daquele. Mas, no dia a dia, por exemplo, o que faz um secretário de cultura na nossa cidadezinha? quais foram seus projetos nesses tempos bicudos de falta de grana (será?), quais projetos saíram do papel ou da pauta de reuniões para engrandecimento da cultura dos nossos amados munícipes? Quais desses projetos chegaram nas escolas, o ninho natural da cultura? E nos nossos teatros (sim. no plural, porque temos dois ao ar livre e alguns nas escolas, além do principal).Quantos artistas foram convidados para reuniões da secretaria de cultura, para dar pitacos (sim, porque não?) nos projetos? Gestão participativa, eu acredito, é deixar que o povo participe. Claro que não é fácil. Tem gente que só quer dar palpite, pegar no batente, sai fora!!! Mas, acreditem, tem muita gente, muito jovem, muito(a) velhinho(a) que gosta de ajudar, participar, cantar, trabalhar, fazer arte. Deixa o miolo (os adultos) pro trabalho remunerado, que eles precisam ganhar o sustento. E pega essa molecada arretada de Antonina, que gosta de fazer arte, e os velhinhos da fuzarca, que gostam de dançar, cantar, batucar. Taí, Sr. ou Sra. Secretário (a). Trabalho é que não falta.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

E eu, pessoalmente, vou apoiar...

...o prefeito que se dispuser a acabar com essa festa do dia da cidade tal como se dá. Não é divertido ir ao centro da cidade, debaixo de chuva ou de sol, para ver um desfile idealizado pelo Marechal Deodoro no século XIX. Crianças desidratadas. professoras enlouquecidas. Todo mundo com medo de dizer que acha essa festa um grande "SACO". Quem não gosta da festa e está no poder chega sempre atrasado, o que faz com que a criançada, com sede e fome, debaixo de chuva ou de sol, se torne incontrolável. O prefeito e autoridades ficam abrigados das intempéries, numa redoma, olhando de cima o espetáculo das escolas subservientes às personalidades convidadas. A gente se obriga a ir, porque os coitados dos nossos filhos são obrigados. E a gente precisa providenciar guarda-chuva, guarda-sol e água, até que a escola tenha sua vez. Pra não dizer que sou "peru de fora" (embora pague em dia meus impostos, coisa que sei que muita gente não faz), tenho sim uma sugestão: Que tal:
1º) Colocar espetáculos na rua, criados pelas escolas, durante todo o dia, como música, dança, teatro, ao invés de desfile militar?
2º) Colocar a maravilha que é a nossa Banda pra tocar durante a noite, por todas as ruas do centro (não só a escadaria), com os moradores da rua nas portas, saudando a Banda?
3º) A orquestra-show tocando um baile no palco pra todo mundo dançar as músicas de preferência da cidade, ao invés dos famigerados bailões, geradores de violência, alcoolismo e droga que infestam Antonina?
4º) um concurso sério e honesto para julgar e premiar a melhor fanfarra? (com jurados convidados, gente que entende MESMO do assunto).
5º) Um concurso para animar os habitantes a declarar seu amor pela cidade (como poesia, música, obra de arte)?
6º) Uma divulgação da festa feita de maneira profissional, para que o comércio também ganhe com isso, arrecadando mais E PAGANDO O IMPOSTO DEVIDO. Afinal, sem pagar imposto você não é cidadão e não tem direito a melhorias na sua cidade e nem a reclamar da falta delas.





TUDO EM CIMA: Eu apóio a Marcha Mundial das Mulheres

TUDO EM CIMA: Eu apóio a Marcha Mundial das Mulheres

sábado, 8 de outubro de 2011

Cinema Secreto: Cinegnose: Em "Contraponto" a "Alice" de Lewis Carroll se encontra com "Psicose" de Hitchcock

Cinema Secreto: Cinegnose: Em "Contraponto" a "Alice" de Lewis Carroll se encontra com "Psicose" de Hitchcock

Porque parou, parou porque...

Três ruas do Batel foram agraciadas com emendas do Deputado Angelo Vanhoni, do PT PR. A pavimentação por blocos começou no primeiro semestre de 2011, depois das enchentes e de toda aquela desgraceira que conhecemos. Então, sem menos nem mais, as obras pararam. Eu, que sou cidadã, moradora do bairro, sócia da AMBB  (que foi quem reivindicou ao Sr. Prefeito as ditas melhorias), pergunto: Porque parou? tem orçamento aprovado e depositado na CEF, segundo informou o Canduca. Trabalhadores da obra dizem que está parada porque não tem dinheiro para pagar a empreiteira. Como sabemos que o que falta na nossa prefeitura é uma comunicação eficiente com a população, gostaria que o Sr. Prefeito respondesse de viva voz, sem a intermediação do padre ou de outro comunicador qualquer da cidade. O POVO SOFRIDO DO BATEL QUER SABER.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sonho de menina

Sonia Nascimento

Larissa lembra, já faz uns dois anos que sonha com a boneca. Viu-a pela primeira vez na casa da patroa da mãe. Na época em que se comemora Natal ela aparece como a estrela dos anúncios de televisão. É tão linda, fofinha, com cara de bebê de verdade, e vem com um monte de roupinhas pra trocar. Sabe que a mãe nunca vai arranjar dinheiro suficiente pra comprar esse presente, mas não desiste. Vai para a escola no turno da manhã, e as meninas falam da boneca, é o sonho delas. Todas são como ela, moram na mesma vila, mas algumas parecem ter privilégios. A mãe fala sem papas na língua de onde vem os recursos dos pais dessas amiguinhas, e ela já tem idade suficiente para entender o que é tráfico de drogas. Está proibida de visitar a casa dessas meninas, principalmente uma delas, que mora justo em frente à sua. Mas a mãe não tem tantos olhos nem tanto tempo para vigiá-la. Trabalha em período integral na casa de uma professora, num bairro distante. De vez em quando a patroa permite levá-la, e ela passa a tarde na cozinha, entediada, enquanto a mãe arruma todo o apartamento, varre, espana, limpa vidro. Só gosta de ir porque pode comer coisas diferentes, a patroa deixa sempre um sorvete, um iogurte, bolo, sobremesas, tudo guardado para ela na geladeira. Não tem crianças na casa, mas a filha do zelador a chama sempre pra brincar e ficam as duas trancadas no quarto, cheias de brinquedos que Deocelly ganha dos moradores do prédio. Mas nem mesmo ela tem aquela boneca sonhada.

A patroa não tem crianças, mas gosta de comprar brinquedos para os sobrinhos. Foi perto do Natal que ela viu a boneca sendo embalada para uma longa viagem, ia ser entregue pelo correio para uma menina que ela não conhecia, no sul do país. Dona Iara a deixou segurar um pouquinho e ela quase desfaleceu ao sentir o corpinho do bebê junto ao seu, a cara rosada cheirando a morango. Desde esse dia sonha com um presente igual, mas sabe que a mãe nunca vai poder lhe dar.

A mãe não a engana quanto a essa possibilidade. Pelo contrário, ela é muito dura quando lhe mostra a realidade da situação das duas. Não conheceu o pai e os parentes da mãe moram no norte, muito longe. Falam-se por telefone quando ela consegue ter créditos no celular, o que é muito raro. Chegam longas cartas, em letra muito atrapalhada que ela não consegue decifrar. Tem fotos dos avós e tios, gente pobre como as que os documentários da TV mostram de vez em quando.

Fica sozinha quase todas as tardes, exceto quando vai com a mãe para o trabalho dela. Burla a vigilância e vai brincar com Mariana. a menina da casa em frente. A casa de Mariana é melhor, com um quarto só para ela na parte de cima. A casa foi reformada com dinheiro da venda de drogas, de acordo com as conversas dos vizinhos. Não é grande coisa se comparada com as casas do bairro da patroa da mãe, mas é a melhor da vila. Tem até varanda e um quintal caprichado, com churrasqueira e lugar pra brincar. E as brincadeiras na casa da Mariana são mais divertidas quando o pai dela está em casa. Ele gosta de crianças, sempre tem balas e chocolates, deixa que as duas entrem na casa, que brinquem no quarto dela. Mariana tem um Bebezinho, mas não a deixa tocá-la quase nunca. Desde que notou o quanto Larissa a deseja, regateia e esconde, valorizando o brinquedo ainda mais, trocando o simples ato de mostrá-la na caixa por posições nas brincadeiras (eu é que sou a mãe, eu é que sou a professora, eu é que era a princesa, eu que ganhei mais pontos). Ela cede fácil quando em troca pode tocar a boneca, cheirá-la, amassar com as mãos as sua roupinhas.

O pai de Mariana diz que vai lhe dar um Bebezinho. Assim tem repetido quando brincam de papai e mamãe, uma brincadeira que começou com esconde-esconde e tem evoluído para coisas que ela sabe que não são muito certas. A mãe sempre lhe diz que não deve deixar nenhum homem tocar seu corpo. Logo será uma mocinha e vai poder namorar, mas agora deve preservar-se. Nunca vai contar à mãe. Tudo que o pai de Mariana faz é feio para os padrões dela, mas Larissa deixa, porque só assim vai poder ganhar sua boneca. Na semana passada ele pediu que ela tirasse a roupa. Ela ficou com medo. Doeu e saiu sangue, e teve que prometer não contar a ninguém. Agora ele tem repetido a brincadeira, que evoluiu para outras coisas. Não sabe como fazer para que a mãe não perceba. Tem que chegar cedo em casa, antes dela, e trocar-se, lavar, não demonstrar que está machucada.

Por isso está se preparando tanto hoje. A mãe já foi, Mas não vai à casa de Mariana. O pai dela é quem vem brincar, isso é um segredo dos dois. Disse que vai lhe dar banho, perfumar, enxugar. Em troca, amanhã vai ser o grande dia. Nem acredita que seu sonho vai virar realidade. Ele vai trazer a boneca e então vai poder ficar longe dele, nunca mais vai machucá-la. E ela nunca mais vai precisar sair de casa, porque vai ter a sua própria filhinha, seu bebezinho, sua bonequinha.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

RESENHA “TREM NOTURNO PARA LISBOA” Autor: Pascal Mercier Classe: Romance


   O professor Raimund Gregorius leciona línguas clássicas numa escola em Berna, Suíça. Depois de um encontro inusitado com uma mulher portuguesa, abandona a escola e sua vida regrada para descobrir, em Portugal, Lisboa, como viveu e morreu o autor de um livro que encontra num antiquário. Nesse percurso, conhece pessoas e fatos que mudam totalmente a sua vida e a forma como compreende seu passado.
    O livro foi construído em quatro partes. Na primeira, o autor trata da partida do personagem para Portugal. Na segunda, narra o encontro com a vida de Amadeu de Prado, o escritor. Na terceira, a tentativa de compreender as razões e emoções de Prado. Por fim, na quarta, o seu retorno à Berna e a constatação de quanto havia mudado.
    Durante toda a leitura, o leitor é levado a conhecer Lisboa sob a ótica dos personagens, em duas épocas distintas: a de hoje e a da ditadura de Salazar, formando aos poucos o quebra-cabeças que é a personalidade surpreendente de Amadeu. Trata-se e um médico que dedicou sua vida aos pobres, até que um dia salva a vida de um temido oficial da polícia salazarista. Daí em diante é desprezado pelos pacientes. Para se redimir perante os olhos da população passa a trabalhar para a resistência.
    Da obra destacam-se os textos escritos por Amadeu, que são páginas filosóficas sobre a vida, a religião e o ateísmo do personagem, sua luta entre a fé a razão. É sobre as relações humanas e as múltiplas faces de cada um. Os trechos do livro de Amadeu se entrelaçam com a vida de Gregorius de uma forma sutil e, ao longo do livro, o professor passa a ser alguém que surpreende a si mesmo a cada momento, um desconhecido que transforma o sentido de sua vida e a capacidade de sentir e se relacionar com o outro.
    O livro é, como disse Izabel Allende, um deleite para a alma. É ideal para quem procura uma leitura filosófica ou busca argumentos para um sentido da vida. É, todo o tempo, comovente, mas nunca piegas ou apelativo.
   O autor, Pascal Mercier, é na verdade Peter Bieri. Nasceu em 1944 em Berna. Vive em Berlim, onde leciona filosofia. Publicou três romances e um ensaio. Este romance já foi traduzido para 15 idiomas e ficou três anos na lista dos mais vendidos.

Madame Bovary

  A Velhice II      Quero falar das dores da velhice. Não aquela dor que vemos quando temos coragem de encarar o espelho e aquela mulher (ho...