segunda-feira, 5 de outubro de 2015
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quinta-feira, 1 de outubro de 2015
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segunda-feira, 3 de agosto de 2015
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segunda-feira, 16 de março de 2015
terça-feira, 3 de março de 2015
Memórias I
A felicidade é um domingo de sol
Lembro de que, quando era criança, aos domingos, eu e minha irmã acordávamos muito cedo,
assim que o sol nascia e vazava pelas frestas da veneziana. No teto, apareciam
invertidas as sombras das palmeiras de um terreno baldio que ficava em frente à nossa casa.
Aquilo me intrigava e eu me punha a pensar. Não demorava muito e a sombra
sumia. Era como uma senha para nós: invadíamos o quarto dos meus pais e nós
enfiávamos pela coberta, felizes, apertadas entre eles. Contávamos nossas
novidades, minha mãe contava histórias, meu pai cantava. Era domingo, todos
estavam de folga, podíamos ficar ali, jogando conversa fora, rindo. Meu pai
fazia cócegas. Minha irmã gostava de se fazer de bebê, com aquela fala
atrapalhada. Eu achava ridículo, mas ela era a caçula e eles se deliciavam com
aquilo.
Minha mãe
levantava e preparava o café. Eu tomava banho correndo para alcançar a missa
desde o início. Ia junto com meu pai, que saia para comprar o jornal. No almoço
havia sempre carne assada de panela, com um molho ferrugem divino e batatas
coradas, maionese e macarrão. Depois havia a “matinée” no cinema, com seriados
– Tarzan e a Mulher Leopardo, O incrível
Dr. No, Roy Rogers – desenhos, filmes de “cowboy”, o intervalo para drops,
paqueradas e troca de gibis e, finalmente o filme em cartaz. Eram filmes muito
antigos, dos anos quarenta e cinquenta. O dono do cinema possuía uma coleção de
raridades e repetia os filmes com muita frequência. Nossa grande alegria era quando ele adquiria ou
alugava um filme novo. O cinema era de madeira, um grande barracão que
esquentava muito no verão. As cadeiras de madeira eram desconfortáveis, mas
ninguém se importava com isso. O cinema
era o nosso mundo mágico.
Depois do
cinema tinha sorvete. Eu voltava para casa com o som dos rádios pela rua,
irradiando o jogo de futebol. Vinha chutando pedras, distraída, cismando sobre
a fita, pensando no garoto que fazia sucesso com as meninas, no bolo de fubá
que me esperava, com café cheiroso, o pão suiço quentinho e a manteiga de
verdade, amarelinha, derretendo.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Poema de Paulo Roberto Cequinel
Seu corpo, terra prometida, terra fértil: na rua suja o anjo promete, eu prometo.
Na rua suja do meu verso o anjo se mostra, voz aberta para o lixo organizado e ocidental.
O tempo apressa e a rua suja do meu tempo se fecha para obras de recuperação.
Na causa limpa do meu pranto o vento caminha livre.
E o sangue se derrama na rua suja do meu medo.
Na rua suja dos meus vícios meu verso se assusta, o meu passo apressa o tempo,
o meu tempo se vende, se veste de concreto a flor sintética,
choram pelo passado esquecido na chuva.
Na chuva azul do meu pranto o esquecimento aquece o cimento morto.
O cimento sujo com meu sangue vai renascer menos duro, mais sentimento.
Na rua suja do meu tempo há o homem destruído.
Na rua suja do meu tempo há o templo construído e aberto para sua fé.
Há também o meu segredo.
Na rua suja pelo tempo, os pássaros se apressam e ganham o medo.
Mas, na memória dos seus beijos, nos cobertores dos seus braços,
no descanso do seu corpo, o tempo perde o sentido, e perde o jogo.
Na metade do meu tempo há o poema esquecido, há a lágrima.
Na mentira de quem feriu o poeta bêbado, o verso limpo e a água calma, há o cimento.
Na pequena porta se abrindo para o norte é mortal o dia.
Somos seres noturnos de vôos cegos e infinitos.
Paulo Roberto Cequinel
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