quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Notas de Campanha V
Companheiros, vamos firmes na luta pela Antonina que Queremos. Sabemos que o que nos move é a implantação de um plano de desenvolvimento para a cidade que depois de implantado ninguém mais vai poder parar. Campanha é na rua, é nas casas, levando pro nosso povo a informação de que a vida é muito mais do que as conversas de boteco. Nós temos pra mostrar o Programa de Governo que foi construído com o povo e é esse o nosso mote. Boralá. Pra vocês, meus camaradas, pro povo simples, que batalha o feijão todo dia, pra juventude que pode e deve viver numa cidade inserida na realidade desse novo Brasil, vamos em frente.
Os Ombros Suportam o Mundo
Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
domingo, 29 de julho de 2012
Sob o sol do meio dia (ficção sobre a realidade).
Sonia
Nascimento
Memórias de petroleira.
Estávamos na pracinha central. Algumas pessoas saiam do almoço, em grupos homogêneos, como mandava a norma: os do restaurante 3 vestindo macacões cinza, palitando os dentes, alguns rindo muito alto, outros enfezados com a comida; os do 2 vestidos com roupas comuns, a maioria mulheres, que conversavam sobre a novela, a secretária do super, a liquidação da Sears. E, naturalmente, os do restaurante 1, com aquela cara de satisfação por terem sido servidos à mesa, por garçons impecáveis, a mesma comida do restaurante dois e três. Vinham também em grupos, alguns vestiam terno e gravata, outros procuravam disfarçar com ridículos safaris o hábito recém abandonado da farda engomada. Eu, ali na pracinha, de riponga. Meu amigo Orim contava as últimas do coronel, que mandou suspender o Mendanha por ter ligado para o Rio de Janeiro na hora extra, no único telefone da unidade que permitia ligações interurbanas ( o do próprio coronel). O Mendanha era carioca e não via a família há alguns anos. Também não tinha dinheiro para interurbanos.
Naquela hora o sol sempre estava muito
quente, mas a gente gostava de ficar no banco da praça, olhando o povo que saia
do restaurante, falando abobrinhas, cantando as músicas dos festivais, eu, ele
e Atilegna. O Orim estava na mira dos
olheiros do coronel. Todo mundo sabia que era comunista e ele não fazia segredo
de suas convicções, mas assim não tinha graça. Aquele pessoal queria pegar o
cara soltando panfleto, instalando uma bomba ou coisa parecida, e o negócio do
Orim era falar.
Então aconteceu. No começo eu mesma não entendi
direito, pois vi aquele grande objeto prateado vir crescendo do céu para a
pracinha, uma nave do tipo “2001, uma Odisséia etc”. Pensei primeiro que era o
povo da manutenção, afinal os barracões ficavam ali, do outro lado da praça.
Mas não, aquela coisa crescia muito rápido na nossa direção, do céu sem
helicóptero que lhe guiasse, vinha soltinho o negócio, por vontade própria. O
que eu não via era o cabo de aço do guindaste do outro lado da estrada, além da
cerca, ofuscado pelo sol do meio dia. Pensei e matutei, muito rápido e de boca
aberta, e nisso era acompanhada por Orim e Atilegna e todos os outros que saiam
dos restaurantes 1,2 e 3: “que porra é essa?”.
O objeto não identificado instalou-se rapidamente no
centro da praça, grande nave mãe com cara de Enterprise sob sol escaldante. O
coronel corria na direção, vinham os bombeiros atrás dele, naquele tempo eles
chamavam os da segurança industrial de bombeiros. E o velho não teve dúvidas:
“-teje preso, cabra safado” – pro Orim, coitado, que ainda continuava de boca
aberta, olhando aquela prataria insondável e hermética. –“Terroristas a serviço
de Moscou, o que vocês estão pensando? Invadindo a unidade pelo espaço? “– E
virando pros bombeiros: -“prendam ele” . Mas os homens, como nós, abriam
caminho para o “disco voador”, que era, na verdade, a primeira grande peça de
uma nova esfera, que ia servir para armazenar o GLP e ia ser instalada pra lá
do rio, do lado da escola técnica, no setor de transferência e estocagem, mas
que não conseguia passar pelo portão principal.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Notas de Campanha IV - A campanha e este frio
Com esse frio aqui em Antonina, e essa chuva danada, que se mete até dentro de casa de tão fina, sair para a campanha? Tomara que meus candidatos a vereador@s, meu prefeito e minha vice não estejam com este meu ânimo! Arre! A máquina de lavar pifou e tenho pilhas de roupas para lavar, mas sou dona de casa moderna e ninguém ouse me pedir pra lavar no tanque. Ninguém merece lavar roupa no tanque. Fico aqui pensando na minha querida mãe, que lavava roupa cantando, e quarava num canteiro de poejo. Nossa roupa limpa tinha cheiro de hortelã. Mas naquele tempo roupa era coisa cara, ninguém tinha tanta roupa como a minha família tem hoje em dia. É meia, cuecas e calçolas, uma infinidade de camisetas de todas as cores. Criança de hoje nem imagina o que acontecia com as do meu tempo, se chegasse em casa faltando um botão no vestido, uma bainha desmanchada. Ah, e a gente sabia pregar botão e costurar a bainha. Todos sabiam, meninas e meninos, pelo menos da minha família. Minha mãe era feminista roxa e me ensinou direitinho, tanto que estou agora aqui no computador, esperando o Paulo que foi buscar o "seu" Marcelo pra consertar a máquina. MORTA de frio, com o pé gelado. Velhinhas sentem mais frio que vocês, meus caros e minhas caras. VOTEM NO PT!!!!!
Com esse frio, se ninguém for hoje na sua casa pedir voto, considere este meu pedido.
Assinar:
Postagens (Atom)
Madame Bovary
A Velhice II Quero falar das dores da velhice. Não aquela dor que vemos quando temos coragem de encarar o espelho e aquela mulher (ho...
-
German tem 6 anos. Cismou de ter um blog, o vô coordenadas, ele entrou nessa vida ontem. E danou a postar coisas que lhe passama pela vida...
-
Blog do Mello: MÍDIA BRASILEIRA NÃO DÁ DESTAQUE AO FLAGRANTE DE C... : [Fonte: Facebook do Maurício Machado ] Clique aqui e receba gratu...
-
Madame Bovary – Gustave Flaubert França – 1857 “Madame Bovary” conta a história de Emma Bovary, que mora no interior...